terça-feira, 7 de setembro de 2010

06/06/06

Luzes alaranjadas acendem
Fecham-se postigos
Por trás das sentinelas grades
Ferrosas e frias

A noite envolve ásperas árvores
Que se vestem do limo ácido do tempo

Do amor que tenho pela cidade
Não posso desfrutar

Os olhos estão cerrados
Ofuscados no escuro deserto

Cidade maravilhosa
Ânsia eterna de solidão
Medo e morte

Auto Visagem

I
Aparo as arestas de palavras
(Escritas/Faladas/Ouvidas)

II
Ciranda de pirilampos
Afogados no negro-nanquim
Ofuscam-me os sonhos

III
O pano de fundo
Meu velho-retrato
Estirpe-impressionista
De demônios matizados
E deuses adormecidos

IV
Anjos e querubins
Ornados de plumagens sensoriais
Metafisicamente fantasiados
Ilustram-me o tempo

V
Entretanto...
Na abissal profundeza da alma
Sou apenas simples mortal
(Criança/Poeta/Louco)
Magia misteriosa de Deus

O Sentido das Letras

Carrego no embornal
Entre outras coisas
Palavras...

Palavras
Que se modificam no tempo

Consoantes e vogais
Alinham-se fio a fio

Notícias
Pesam as páginas do jornal

De tempo em tempo
Vão-se os elos da barbárie

Fica a lírica do poeta