terça-feira, 2 de novembro de 2010

Imagem da Flor

Fotografei para não esquecer
do tempo em que caminhei nesse jardim

O perfume impregnou minh’alma de tal forma
que agora
para dissipar

Tento nas noites de solidão
despetalar o mal-me-quer

E nas longas caminhadas
do bem-me-quer
fica o vazio
ofuscado na imagem do abstrato

Onde um dia
a luz revelou
o retrato do concreto

No jardim da rubra-flor
desabrochada para mim

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Esquisitices Provincianas em Westzone

Político-Populista-paternalista
Posa de modelito fashion

Bundas-secas caminham nas ciclovias
Vestindo a última moda em lingerie

Bichas-viadas querendo ser devoradas
Enlouquecem alcoolizados vira-latas

Animaizinhos silvestres saem das tocas
E ladram nas velhas-empoeiradas-sacadas das janelas

Discos voadores invadem os jardins e extraterrestres
Encapuzados não são reconhecidos pelo bicho-homem

Estrangeiros mendigos hospedam-se nas esburacadas calçadas
Exalando a essência da vida saudável

Tartarugas excêntricas e oportunas
Transitam em campanha ao lado de hábeis parasitas

Em devaneios a insensatez de vaidosos
Transforma abaixo-assinado em documento de politicagem

Minhocões de aço cortam os vales petrificados
Lotados de heróicos semideuses que viajam para o além

Um corvo-santo enlouquecido faz liquidação da Palavra
Dando de brinde um lugar no paraíso celeste

Vermes decompõem vasta extensão territorial das encostas
Emergindo na vista panorâmica um lago de sangue

Lama medicinal transforma-se em fossa-fecal
No lindo mar de poesia

Soberana vaca-leiteira faz promessas de bem estar
Em juras secretas a cabo eleitoral

“Canto este Poema a esta terra-santa
De atalhos retalhados e endêmicas pedras
Canto a desordem niilista do progresso
Canto a fantástica e infinita memória surreal
De minha febricitante terra natal”

Contemplação

Queria em sua pele
ser a camuflagem do camaleão
Queria em seus sentidos
ser o vôo silencioso da borboleta
Queria em seus anseios
ser o alvo sedento do gavião

Queria em seus ouvidos
ser o sussurro do vento
Queria em seus cabelos
ser essência de flor
Queria em sua alma
ser o mergulho certeiro da gaivota

Queria ver o mar
no fundo do seu olhar
E no seu íntimo
ler uma sinfonia de poesia
no meu último suspiro

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ambição Sem Fronteiras

Ontem!
Navegavam em mares desconhecidos imponentes galeões
Que buscavam esperança d’um novo mundo
Sonhadores a deriva
Em meio às tormentas
Medo e lendas
Adormeciam em mausoléus oceânicos
Navegar era preciso?!

Hoje!
Cortam céus encurtando distâncias aeronaves futuristas
Circunstancialmente...
Semideuses homens biônicos
Voam sem medo
Voam sem lendas
Embevecidos num turbilhão de ambições
Voar é preciso?!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

06/06/06

Luzes alaranjadas acendem
Fecham-se postigos
Por trás das sentinelas grades
Ferrosas e frias

A noite envolve ásperas árvores
Que se vestem do limo ácido do tempo

Do amor que tenho pela cidade
Não posso desfrutar

Os olhos estão cerrados
Ofuscados no escuro deserto

Cidade maravilhosa
Ânsia eterna de solidão
Medo e morte

Auto Visagem

I
Aparo as arestas de palavras
(Escritas/Faladas/Ouvidas)

II
Ciranda de pirilampos
Afogados no negro-nanquim
Ofuscam-me os sonhos

III
O pano de fundo
Meu velho-retrato
Estirpe-impressionista
De demônios matizados
E deuses adormecidos

IV
Anjos e querubins
Ornados de plumagens sensoriais
Metafisicamente fantasiados
Ilustram-me o tempo

V
Entretanto...
Na abissal profundeza da alma
Sou apenas simples mortal
(Criança/Poeta/Louco)
Magia misteriosa de Deus

O Sentido das Letras

Carrego no embornal
Entre outras coisas
Palavras...

Palavras
Que se modificam no tempo

Consoantes e vogais
Alinham-se fio a fio

Notícias
Pesam as páginas do jornal

De tempo em tempo
Vão-se os elos da barbárie

Fica a lírica do poeta

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Amor Carmesim

Doce de framboesas
Lembra...
Lábios com batom vermelho

Mulher na tpm
Lembra...
Sangue na boca de vampiro
Em cine tecnicolour

Amor escondido
Lembra...
Sexo selvagem e sem jeito

Cio de princesa
Lembra...
Inocência de quem
Ainda não sabe amar
E sangra...
Sangra...
Sangra...

Sem Limites

O sangue a pulsar me estremece
Então tento libertar da memória
E como um filme se passa a história
Tomo um gole a garganta aquece

Recordo a loucura da paixão demente
Na pele um cheiro impregnado
Do distante e esquecido passado
Outrora semeada a semente

Enquanto o pensamento é vago
Eu me enlouqueço a cada trago
Na ilusão do contido mistério

O que poderia explicar a fuga
Quando se lamentar é a fuga?!
Agoniza o Poeta sem critério

Forma Prima

Passo a passo pernas desenham a silhueta azul
A luz
Por nuveados raios
Invade o espaço

O corpo
Lua minguante
Lua nova
Quarto crescente
Lua

Branca-menina
Pés pontiagudos espetam meu pensamento
De erotismo selvagem
Caminhos desvendados pela beleza e harmonia

A cada instante incito o verbo amar
Amar
A carne
Pele
Poros
Pêlos
O cheiro

Vulcão frenético
Deusa dos sonhos poéticos
Jorros na ponta da pena deságuam palavras
No mar-alto da emoção

O movimento do corpo
Exala todo perfume
De preciosa e graciosa rosa
Encantamento que embriaga meus olhos
Envolvidos no afago de minha supra-imaginação